Sete em cada dez projetos de prevenção de incêndio contêm erros

Sete em cada dez projetos encaminhados para análise técnica da Sólida, empresa de engenharia especializada em projetos de combate e prevenção de incêndios no Brasil, apresentam erros graves de execução. O indicador interno levantado pela companhia chama atenção para um problema que pode comprometer a segurança de edificações: não basta contar com equipamentos de prevenção e combate a incêndios, é preciso garantir que todo o sistema tenha sido corretamente projetado, dimensionado e instalado.

A experiência da Sólida mostra que falhas em etapas anteriores ao funcionamento do sistema podem comprometer sua eficiência em uma situação real. Bombas, reservatórios, tubulações, alarmes, hidrantes, extintores e sprinklers exercem funções distintas, mas precisam operar de maneira coordenada. Um erro de dimensionamento, por exemplo, pode afetar pressão, vazão, alcance da água ou tempo de resposta.

Para João Paulo Soares, engenheiro especialista da Sólida, um dos principais equívocos é considerar que a presença dos equipamentos é suficiente para tornar uma edificação segura. “O cliente muitas vezes não sabe, de verdade, o que está comprando. A proteção precisa considerar o risco da atividade, as características da edificação, a qualidade do projeto, a instalação, as certificações, a manutenção e, principalmente, a integração entre todos os sistemas”, explica.

Como reduzir erros nos projetos de prevenção contra incêndios

Segundo o especialista, o primeiro cuidado deve acontecer ainda no planejamento. A definição das soluções não pode ser feita de maneira isolada ou exclusivamente pelo preço dos equipamentos. É necessário avaliar as características da edificação, sua ocupação e a atividade desenvolvida no local para então definir quais sistemas são necessários e como devem ser dimensionados.

Outro ponto é observar as exigências aplicáveis ao empreendimento. A Lei Federal nº 13.425/2017 estabelece diretrizes gerais de prevenção e combate a incêndios, enquanto a aplicação prática envolve regulamentações estaduais, normas municipais e instruções dos Corpos de Bombeiros. Além do atendimento às exigências legais, a qualidade da instalação, as certificações e a manutenção precisam fazer parte da análise.

Também é importante entender a diferença entre os sistemas. Extintores e hidrantes, por exemplo, dependem da atuação humana, enquanto soluções automáticas, como sprinklers, podem iniciar o combate ao fogo mesmo quando não há pessoas no ambiente. Por isso, não existe uma configuração única que possa ser replicada indiscriminadamente em diferentes imóveis.

“Prevenção contra incêndios precisa ser entendida como engenharia de risco. Não adianta olhar para cada equipamento separadamente. O sistema precisa funcionar como um conjunto e estar adequado à realidade daquele empreendimento”, reforça Soares.

Prevenir custa pouco diante do investimento total da obra

Apesar da importância desses sistemas, a prevenção contra incêndios ainda é frequentemente tratada como custo e não como parte do investimento necessário para uma edificação segura. De acordo com projeção da Sólida, projetos de engenharia de incêndio eficientes representam apenas 5% do custo total de uma obra.

“Preventivo é o seguro que você paga para não usar. Quando um incêndio acontece, o prejuízo não se limita ao patrimônio físico. Ele afeta pessoas, interrompe operações, compromete contratos e pode colocar em risco a própria continuidade da empresa”, afirma o engenheiro da Sólida.