A comunicação condominial vive um período de transformação. A presença massiva dos smartphones e a expansão das redes sociais fizeram do WhatsApp o principal canal de troca entre moradores, muito por ser uma espécie de “atalho mental” para qualquer mensagem. O Brasil é o segundo país que mais utiliza o aplicativo, perdendo apenas para a Índia – talvez, uma questão meramente populacional –, o que explica por que tantos condomínios ainda dependem dele. Mesmo assim, começam a ganhar espaço alternativas mais organizadas e seguras, especialmente os aplicativos desenvolvidos para a comunicação condominial, como o Gruvi, além de casos pontuais de uso de grupos no Facebook/Meta.
O que move essa mudança é a limitação natural do WhatsApp. A ferramenta mistura conversas pessoais, demandas profissionais e assuntos do condomínio, o que faz com que informações importantes se percam com facilidade. Avisos oficiais ficam soterrados por reclamações, conversas paralelas ou mensagens fora de contexto, levando moradores a silenciar os grupos e, muitas vezes, ignorar comunicados essenciais. A ausência de um histórico estruturado torna o resgate de decisões mais difícil, além de gerar repetição de temas e sensação de falta de organização. Some-se a isso o problema da exposição de dados pessoais, já que nome, número de telefone e foto ficam visíveis para todos.
As plataformas dedicadas surgem justamente para eliminar esses ruídos. Ao concentrar toda a comunicação em um único ambiente pensado para os moradores, elas criam um fluxo mais claro e reduzido de interferências. O simples fato de existir um “lugar próprio” para assuntos condominiais já ajuda o morador a se organizar, separando mentalmente o que é conversa do dia a dia e o que é comunicação coletiva, o que torna o acesso às informações mais objetivo e diminui a confusão típica dos grupos.
Outro ponto que diferencia esses aplicativos e os tornam ainda mais adequados na comunicação condominial é a oferta de funcionalidades que extrapolam a troca de mensagens. Além de troca de mensagens, muitos sistemas trazem áreas para gestão de documentos, solicitação e acompanhamento de demandas, controle de acesso de visitantes, reserva de áreas comuns, acompanhamento de encomendas e emissão de boletos. Essa integração dá ritmo ao dia a dia do condomínio, facilita processos e reduz desgastes operacionais, criando uma gestão mais profissional e menos dependente do improviso.
Para síndicos e administradoras, essa transição vem sendo interpretada como um verdadeiro avanço. Ao deixar de usar o WhatsApp como ponto central, o síndico se descola do papel de “atendente” e passa a atuar em um ambiente que organiza processos, registra histórico e permite fluxos mais estruturados. Esse movimento acompanha a popularização de recursos de inteligência artificial e de automações simples, que ajudam a filtrar informações, distribuir demandas e dar mais previsibilidade às rotinas.
O futuro aponta para plataformas cada vez mais integradas, com soluções que tornam a gestão mais invisível e eficiente. A lógica é simples: quanto mais o morador puder resolver, tendo acesso aos recursos necessários, sem depender diretamente do síndico, melhor a convivência coletiva e menor o desgaste na administração. A tendência é que o aplicativo se transforme no principal canal de autogestão, centralizando tudo o que diz respeito ao viver em comunidade e reduzindo fricções.
Essa mudança não representa apenas a substituição do WhatsApp, mas um amadurecimento da gestão condominial. Em um ambiente que exige organização, segurança e clareza, as plataformas especializadas se consolidam como o caminho mais sólido para uma comunicação estruturada e uma convivência mais harmoniosa entre
vizinhos.
*Mark Cardoso é Head of Brand do Grupo Superlógica. Jornalista e publicitário, com mestrado em Marketing/Branding (Desenvolvimento de Marca) pela Universidade de Brasília (UnB), já acumula mais de 20 anos de experiência com passagens por veículos, agências, marcas e empresas. Com um livro publicado, o psicanalista acredita na pergunta como início do movimento e, talvez por isso, já tenha vivido em cinco cidades diferentes.

