Síndicos e gestores de facilities enfrentam pressão crescente por eficiência com menos recursos

A gestão de condomínios e operações de facilities no Brasil vive um momento de transformação marcado por uma equação cada vez mais desafiadora: mais demandas operacionais, menor margem orçamentária e aumento da responsabilidade técnica e legal.

Síndicos e gestores de facilities vêm enfrentando uma pressão crescente para entregar mais eficiência com estruturas cada vez mais enxutas. Segundo dados do IBGE, os custos com serviços e mão de obra, que representam significativamente as despesas condominiais, acumulam alta consistente nos últimos anos, impactando diretamente o orçamento operacional.

Ao mesmo tempo, levantamento da ABRAFAC aponta que mais de 60% dos gestores consideram a redução de custos e o aumento da produtividade como prioridades estratégicas, especialmente diante do aumento no volume de demandas operacionais, como gestão de encomendas, controle de acessos e manutenção predial, considerando que tecnologia e automação estão entre os principais caminhos para o ganho de produtividade, chegando a reduzir até 30% do tempo dedicado a tarefas repetitivas.

A pressão aumenta, quando relacionamos as entregas ao volume de encomendas vinda de e-commerces. Dados da Brain Inteligência Estratégica indicam que o volume de encomendas em condomínios cresceu mais de 25% nos últimos anos.

Na prática, o escopo de atuação desses profissionais se expandiu significativamente. Além da gestão financeira e administrativa, síndicos e equipes de facilities precisam lidar com temas como sustentabilidade, tecnologia, segurança, experiência do usuário e conformidade regulatória.

“Hoje, o gestor predial precisa fazer mais com menos, equilibrando expectativas cada vez mais altas dos usuários com restrições orçamentárias reais. Do outro lado, o gestor de Facilities também é pressionado a manter a rotina dos escritórios em ordem. Isso exige uma gestão baseada em dados, priorização inteligente de recursos e adoção de tecnologias que tragam eficiência operacional sem elevar custos. Não se trata só de cortar despesas, mas de tomar decisões mais estratégicas e sustentáveis para garantir o funcionamento destas operações”, comenta Thais Mendes, head of customer experience, na área de smart solutions da Pitney Bowes, empresa especializada em tecnologia, logística e serviços em todo o mundo.

Diante desse contexto, a profissionalização do setor se acelera. Um levantamento do Instituto Datafolha revela que 46% dos síndicos já exercem a função de forma profissional, dedicando-se exclusivamente a ela. O Brasil projeta investimentos de aproximadamente R$ 258 bilhões entre 2024 e 2027 para o ecossistema de tecnologia que suporta a área de facilities, refletindo a aceleração da transformação digital e da demanda por operações mais inteligentes e conectada.

“Nos próximos anos, a tendência é que síndicos e gestores de facilities atuem cada vez mais como líderes orientados por dados, com foco em eficiência contínua e experiência do usuário. Quem conseguir estruturar processos, investir em tecnologia e adotar uma visão mais estratégica da operação estará mais preparado para lidar com esse cenário de pressão constante por resultados”, finaliza Thais Mendes.