Superlógica Next 2026: IA promete fim da inadimplência condominial

Hoje começou o Superlógica Next 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo, e conversamos com João Baroni, diretor de produtos na Superlógica e responsável pelo Inadimplência Zero, solução que usa a inteligência artificial aplicada à cobrança de condomínio, para nos falar sobre como esse assistente torna o processo de cobrança menos estressante e constrangedor.

“Muitas vezes a IA negocia melhor que o próprio humano”, explica Baroni. “A gente sempre tem a impressão de que ao conversar com uma pessoa, a pessoa vai ter uma predisposição maior em pagar uma dívida. Mas muitas vezes não”, alerta.

A explicação está no constrangimento. Falar de dívida com outro ser humano expõe o devedor. Com o robô, não. “A pessoa, justamente quando tem uma outra pessoa falando, ela se sente constrangida, e aí provavelmente o robô lida melhor com a situação”, afirma Baroni.

Há ainda uma vantagem operacional. A cobrança por WhatsApp é assíncrona. O morador responde quando pode, no intervalo do trabalho, e retoma a conversa horas depois. A ligação telefônica exige que ele pare tudo e resolva naquele momento. Segundo Baroni, a IA supera o desempenho humano em 13,8% nas negociações desse perfil.

Onde a máquina para

O ganho tem um teto claro, e ele aparece quando a dívida cresce. A vantagem da IA se concentra em devedores com até seis parcelas em aberto. A partir daí, o caso muda de natureza.

Baroni dá o exemplo sobre uma dívida de 100 mil reais em um imóvel de 500 mil reais representa 20% do valor do bem. Nesse patamar, a negociação deixa de ser padronizável. O morador quer parcelar de um jeito específico, quer pagar uma parte no cartão de crédito, vai pegar outra parte emprestada, propõe um arranjo que só faz sentido dentro da vida financeira dele.

“Essas negociações mais complexas, a gente ainda está mais distante de lidar”, diz. “O poder do humano de conseguir entender melhor a situação do cliente está um pouco à frente da IA”.

Ou seja, o discurso de que a tecnologia resolve a inadimplência sozinha não se sustenta na operação real. A IA limpa o volume, que é composto por esquecimento, atraso pontual e aperto passageiro. O caso grave continua na mesa do humano. Segundo o diretor, na Superlógica, a inteligência artificial também já é usada em precificação e em outras frentes da cobrança.

O impacto da operação

A fala da tecnologia, porém, precisa da voz de quem paga a conta e vê o resultado. Márcia Campelo, sócia-proprietária da C&C Administradora, é cliente do Inadimplência Zero e pode quantificar o impacto.

“Dos condomínios que a gente fechou, a inadimplência diminuiu 100%”, afirma. Antes da implantação, havia unidades com até 30% de taxa, algumas abaixo disso. “Depois da implantação do Inadimplência Zero, o condomínio deu um boom na revitalização, na estrutura do condomínio, no planejamento orçamentário que os síndicos não tinham um norte”.

O prazo para esse resultado foi curto. Campelo cita o exemplo de um condomínio que começou a operar no azul em apenas três meses. O síndico, confiante no resultado, decidiu cancelar o serviço. “Um mês depois ele quis voltar porque não dá mais para ficar sem o IZ”, relata.

Para além dos números, houve mudança na dinâmica interna. “Ficou muito mais eficiente”, diz Campelo. “Otimizou nosso trabalho e as reclamações da falta de atendimento diminuíram consideravelmente.”

Por que a inadimplência não cede

O condomínio disputa espaço em um orçamento pressionado por dois fatores, na leitura de Baroni. Inflação e taxa de juros.

A inflação encarece a cesta básica do mês, água, luz, telefone, escola, transporte, comida e serviços. Sobra menos para o resto. Os juros altos encarecem o financiamento do carro e da casa, e travam quem tenta sair do aluguel. Com o orçamento apertado, o morador prioriza. E o condomínio quase nunca está no topo da lista.

O dado que Baroni levou ao palco mostra o resultado dessa fila. O condomínio registra a maior inadimplência entre as contas domésticas. O morador prefere pagar o banco antes de pagar o prédio onde mora.

Por trás disso há um desconhecimento que custa caro. “A maioria das pessoas não sabe que deixar de pagar o condomínio pode acarretar em ela perder o imóvel”, afirma Baroni. A dívida condominial tem natureza propter rem, acompanha o bem e permite a execução judicial que leva o imóvel a leilão. A conta que parece a mais adiável é justamente a que tem a garantia mais dura.

Baroni atribui parte do cenário à política fiscal. Para ele, enquanto o governo gastar mais do que arrecada, recorrendo à emissão de moeda ou ao endividamento, inflação e juros seguem em patamar elevado. E a inadimplência segue junto.

Seis meses até o processo

O caminho até a perda do imóvel é longo, e é aí que mora a oportunidade do morador endividado. Na Superlógica, a régua é de seis meses de negociação amigável. Nesse período, a empresa antecipa o valor ao condomínio, que segue recebendo, e cobra o devedor.

Passados os seis meses sem acordo, o caso vai para a esfera judicial. O prazo varia por estado. Onde a Justiça anda rápido, o processo leva de um ano a um ano e meio. Em outros, demora mais.

Mesmo depois de judicializado, ainda há espaço para acordo antes do leilão. “A pessoa vai ter muita oportunidade de renegociar”, diz Baroni. “A dica que eu dou é sente com a empresa, sente com o condomínio, tente renegociar a dívida, tente fazer um acordo que seja bom para você para você não perder o imóvel.”

Para o síndico, a leitura prática é direta. A cobrança automatizada resolve a maior parte do problema, que é o atraso comum e recorrente. Mas o devedor antigo, aquele que acumula anos de dívida e representa o maior buraco no caixa do condomínio, continua exigindo negociação humana, caso a caso.