Cinco tendências de facilities para 2027

Durante anos, o conceito de prédio inteligente esteve associado principalmente à infraestrutura: sensores, controle de acesso, climatização, segurança e eficiência energética. Para 2027, uma nova frente tende a ganhar relevância na agenda de Facilities: tornar mais inteligente também a operação cotidiana dos edifícios.

Gestão de demandas, acompanhamento de serviços, recebimento de encomendas e atendimento aos ocupantes estão entre os processos que avançam na digitalização. O movimento ganha importância à medida que a operação predial se torna mais complexa e gestores buscam aumentar a produtividade das equipes sem simplesmente ampliar estruturas.

Essa transformação acompanha um movimento mais amplo de digitalização do ambiente empresarial brasileiro. A Pesquisa TIC Empresas, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, monitora anualmente a adoção de tecnologias da informação e comunicação por empresas brasileiras com dez ou mais pessoas ocupadas, analisando temas como infraestrutura de TIC, softwares, segurança, novas tecnologias, comércio eletrônico e proteção de dados. A edição publicada recentemente, reforça a crescente relevância da maturidade digital na gestão dos negócios.

Ao mesmo tempo em que processos se digitalizam, uma demanda essencialmente física cresce dentro dos edifícios: a circulação de encomendas. Segundo levantamento da CNDL e do SPC Brasil, em 2026aponta que 85% dos consumidores digitais residentes nas capitais fizeram pelo menos uma compra online nos 12 meses anteriores à pesquisa, em um mercado estimado em 139 milhões de compradores. O avanço das compras digitais repercute diretamente em condomínios residenciais e corporativos, que precisam absorver atividades de recebimento, identificação, armazenamento, comunicação e retirada dos volumes.

Essa pressão já pode ser observada nas próprias operações. Dados da Pitney Bowes Brasil, empresa orientada por tecnologia que oferece soluções digitais de envio, inovação em correspondências e serviços financeiros a clientes em todo o mundo, mostram que em apenas 60 dias, mais de 18,8 mil protocolos de encomendas foram processados em condomínios residenciais e corporativos, com redução média de 40% no tempo dedicado ao recebimento, protocolo e gestão desses pacotes.

No mesmo período, a operação envolveu aproximadamente 2 mil portas de smart lockers, mais de 65 empresas e cerca de mil apartamentos, dando dimensão de como uma atividade antes periférica passou a ocupar espaço relevante na rotina de Facilities.

É nesse contexto que a discussão sobre edifícios inteligentes entra em uma nova fase. Se a primeira onda de digitalização esteve concentrada em acesso, climatização, segurança e eficiência da infraestrutura, a tendência para 2027 é que a tecnologia avance também sobre os processos que sustentam a operação cotidiana, da gestão de chamados e serviços à rastreabilidade de encomendas e ao autosserviço dos ocupantes.

“É preciso compreender que a rotina que consome o gestor e o operacional que eleva os custos de uma operação, não está na infraestrutura ou em serviços de manutenção predial. Quando um documento ou uma encomenda somem, assumimos não somente o risco financeiro, mas o valor agregado ou sentimental daquele objeto e é preciso contar com parceiros certos para implantar tecnologia e processos.”, afirma Thais Mendes, Head de Smart Solutions da Pitney Bowes.

1. Dados substituem memória na tomada de decisão

À medida que Facilities assume mais responsabilidades, depender exclusivamente do conhecimento informal das equipes deixa de ser sustentável. Informações sobre quantidade de chamados, tempo de atendimento, reincidências, desempenho de fornecedores, encomendas recebidas e tempo de retirada passam a ajudar gestores a compreender o comportamento real da operação.

A mudança altera a própria lógica da gestão. Em vez de descobrir gargalos apenas quando um problema chega ao ocupante, indicadores permitem identificar padrões, acompanhar níveis de serviço e direcionar recursos para os pontos de maior demanda.

A tendência para 2027 é, portanto, ampliar a transformação das atividades operacionais em dados estruturados, capazes de apoiar decisões e tornar a operação menos dependente de controles individuais.

2. Automação avança da infraestrutura para os processos

Sensores, controle de acesso e sistemas de climatização já fazem parte da realidade de muitos edifícios corporativos. A próxima etapa é levar a mesma lógica de digitalização para processos que ainda dependem de formulários, planilhas, e-mails ou registros descentralizados.

Abertura e acompanhamento de chamados, gestão de fornecedores, registro de demandas e monitoramento dos níveis de serviço são exemplos de atividades que podem ganhar maior padronização e rastreabilidade.

É nesse movimento que se inserem plataformas de gestão de demandas e organização administrativa de rotinas e departamentos.

3. Rastreabilidade é essencial para qualquer operação

Quanto mais complexa a operação, maior a necessidade de saber quem recebeu uma demanda, quando ela foi processada e em qual etapa se encontra.

A gestão de encomendas evidencia bem esse desafio. Cada pacote desencadeia uma sequência de atividades dentro do edifício: recebimento, identificação do destinatário, registro, armazenamento, comunicação, localização e retirada. Controles manuais podem até funcionar diante de pequenos volumes, mas ganham complexidade conforme cresce a quantidade de entregas. Além disso, não é apenas gerenciar o fluxo é assumir responsabilidades, criar rastreabilidade e tornar o processo flexível e cômodo para quem registra e para quem precisa receber.

4. Autosserviço ganha espaço no workplace

Outra tendência que deve avançar em 2027 é a adoção de modelos de autosserviço em determinadas interações entre ocupantes e Facilities. E Na gestão de encomendas, os armários inteligentes são um exemplo dessa transformação.

Em vez de depender exclusivamente da disponibilidade da portaria ou de uma equipe de Facilities em cada retirada, os lockers transferem parte da interação para o próprio usuário. Dessa forma, a automação deixa de atuar somente nos bastidores e começa a fazer parte da experiência cotidiana dos ocupantes, com mais comodidade e segurança.

5. Experiência do ocupante entra na equação da eficiência

A transformação também amplia a discussão sobre o que significa operar um edifício de maneira eficiente.

Indicadores tradicionais de manutenção, custos e disponibilidade continuam relevantes, mas passam a conviver com aspectos relacionados à experiência do usuário: quanto tempo uma solicitação leva para ser atendida, quão fácil é acompanhar uma demanda, como uma encomenda é localizada e qual autonomia o ocupante possui para utilizar os serviços do edifício.

Essa mudança aproxima Facilities de outras áreas do negócio e amplia seu papel estratégico. A tecnologia deixa de funcionar exclusivamente como ferramenta para redução de atividades manuais e passa a apoiar a qualidade, a previsibilidade e a mensuração dos serviços prestados.

“Existe uma segunda camada de transformação acontecendo na própria operação, no dia a dia. Quando o Facilities ou até mesmo o síndico consegue digitalizar demandas, acompanhar indicadores e automatizar atividades repetitivas, a equipe ganha visibilidade para tomar decisões e capacidade para se concentrar nas atividades que realmente exigem intervenção humana.”, finaliza Thais.

Tecnologia não substitui Facilities, muda onde a equipe emprega seu tempo

A expansão da automação não significa retirar os profissionais da gestão predial. O movimento observado é de redução da dependência de atividades repetitivas de registro, consulta, consolidação e intermediação, permitindo que as equipes concentrem sua capacidade em tarefas que exigem análise, relacionamento com ocupantes, gestão de fornecedores e tomada de decisão mais estratégica,

Essa pode ser uma das mudanças centrais para 2027: o prédio inteligente deixa de ser definido exclusivamente pela tecnologia instalada em sua infraestrutura e passa a ser medido também pela inteligência aplicada à operação cotidiana.