Como funcionam os modelos híbridos de portaria mais populares do Brasil

Os modelos de portaria híbridos têm sido uma opção cada vez mais comum para os condomínios. Estes modelos tentam equilibrar segurança, economia e atendimento humano. O objetivo é reduzir a dependência da portaria 100% presencial, que tem custo elevado e também sofre com a escassez de mão de obra, mas sem transformar o condomínio em um ambiente totalmente automatizado de uma vez.

Presencial diurno + remoto noturno – Este tipo de operação é considerado como portaria híbrida: parte presencial e parte remota, com horários definidos para cada modalidade.

Neste modelo, durante o dia, o condomínio mantém porteiro presencial, normalmente no horário de maior movimento: entregas, prestadores, visitantes, etc. À noite, de madrugada, nos fins de semana ou nos horários de menor fluxo, o controle passa para uma central remota, com atendimento por câmeras, interfone, abertura remota de portões e protocolos de segurança.

A redução de custo de escala 24h (4 porteiros em escala 12 por 36) é uma das principais vantagens. O atendimento humano é mantido em horário comercial, o que diminui o impacto da mudança cultural. É especialmente interessante para condomínios de médio porte, onde o dia é movimentado, mas a noite tem fluxo menor.

É considerado o modelo mais “seguro politicamente” para aprovar em assembleia porque não elimina totalmente o porteiro e reduz custos.

Facial + porteiro anfitrião – Este modelo mantém uma pessoa presencial, mas muda a função dela. Em vez de ser o porteiro tradicional responsável por liberar tudo manualmente, ele passa a atuar como anfitrião, orientador ou apoio operacional.

A tecnologia faz a identificação e liberação dos moradores, enquanto o profissional presencial ajuda visitantes, prestadores, entregas e situações fora do padrão. Sistemas de portaria remota e digital costumam usar câmeras, biometria facial ou digital, tags veiculares, QR Code e aplicativos integrados ao controle de acesso.

Este modelo é ideal para condomínios grandes, com fluxo intenso de pessoas e de carros é intenso. Pode não ser tão interessante para condomínios de médio e pequeno porte por conta do custo da portaria tradicional mais o custo do sistema de controle de acesso.

A solução para o segundo caso, poderia ser a substituição do porteiro anfitrião para zelador durante o dia, que além de zelar pelo condomínio, ajuda visitantes, prestadores de serviços, acompanhamento de mudanças, entregas e situações fora do padrão. No período noturno poderia ter a figura da ronda noturna, que além de atuar em situações adversas, pode fazer ronda pelo condomínio.

Autônomo com suporte remoto sob demanda – Nesse modelo, o condomínio opera sem porteiro e sem central monitorando cada acesso o tempo todo. Os próprios moradores têm maior autonomia para liberar visitantes, cadastrar convidados, gerar QR Codes, abrir portões pelo app ou autorizar prestadores. A central remota entra apenas em situações específicas: falha de acesso, visitante sem autorização, emergência, interfone sem resposta ou ocorrência suspeita.

A portaria autônoma é geralmente descrita como o modelo em que os moradores controlam o acesso por aplicativo e tecnologias embarcadas, sem porteiro presencial permanente e, em alguns casos, sem central remota atuando continuamente.

Tende a ser o modelo mais econômico, reduz dependência de mão de obra e dá autonomia aos moradores, mas exige disciplina e comprometimento dos condôminos.

Funciona em condomínios de pouquíssimas unidades e que precisam reduzir custo.

Conclusão – Se o assunto for levado para uma assembleia, o foco não é vender apenas como “troca de porteiro por tecnologia”. O ideal é apresentar como reestruturação do controle de acesso e redução de custos. A tecnologia traz um controle mais rigoroso da movimentação dentro do condomínio, pois segue protocolos, dispõe de equipamentos de ponta, contingência, LGPD e não expõe tanto o morador a riscos de falhas humanas.

*Por Selma Koshoji , contabilista, administradora de empresas e fundadora do Grupo Heisei Contabilidade e Administração Condominial. Também é presidente da ACIAS (Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Sumaré).