A gestão de condomínios vem passando por uma transformação, com síndicos cada vez mais envolvidos em decisões sobre finanças, segurança, manutenção, fornecedores, tecnologia e valorização patrimonial. Nesse cenário, planejamento e capacidade de tomada de decisão se tornam essenciais, especialmente diante da pressão sobre o orçamento das famílias. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da CNC e da Fecomércio PR, 88% das famílias paranaenses tinham algum tipo de dívida em agosto de 2026, ante 85,7% no mesmo mês de 2025, enquanto a parcela com contas em atraso passou de 12,4% para 18,5%. Os dados, embora não sejam específicos de taxas condominiais, mostram um ambiente que exige maior previsibilidade e planejamento financeiro nos empreendimentos.
É nesse contexto que Curitiba recebe, no dia 23 de outubro, às 8 horas, a segunda edição do CondoExpert Paraná, no Centro de Eventos. O evento reunirá síndicos profissionais e moradores, administradoras, fornecedores e especialistas para discutir os desafios da administração de empreendimentos residenciais e comerciais. A primeira edição, realizada em 2025, reuniu cerca de 3.300 participantes, em mais de 12 horas de programação, com mais de 30 palestras e painéis sobre administração, inovação, convivência e tecnologia. “A evolução do mercado torna encontros como este importantes para aproximar profissionais, possibilitando que compartilhem experiências e discutam soluções para os desafios cada vez mais complexos dos condomínios”, afirma Sarah Castro, CRO do Cerus.
Segundo ela, o síndico deixou de atuar apenas nas questões cotidianas e passou a responder por temas como orçamento, contratos, obras, fornecedores, segurança e preservação do patrimônio. “Isso exige preparo e ferramentas que permitam uma atuação mais eficiente e previsível. O equilíbrio das contas deve ser uma preocupação permanente. Quando o condomínio só reage aos problemas depois que o dinheiro acaba, a situação pode ser mais grave do que se imaginava. O planejamento permite antecipar despesas, estabelecer prioridades e evitar que gastos emergenciais resultem em cobranças extraordinárias ou comprometam outros investimentos”, explica a executiva do Cerus.
Nesse cenário, tecnologia e acompanhamento de indicadores também ganham espaço, pois ferramentas digitais podem automatizar processos, facilitar o controle de despesas e melhorar a comunicação, mas a transformação depende de uma mudança na forma de administrar. “Não se trata apenas de digitalizar tarefas, mas de usar dados para tomar decisões melhores, acompanhar indicadores e dar mais previsibilidade ao condomínio”, ressalta Sarah.
Para Sarah, a transparência completa esse processo, porque com informações claras sobre despesas, investimentos, contratos e decisões orçamentárias é possível aproximar os moradores da administração. “Quanto mais transparente é a gestão, maior a compreensão sobre as decisões e a participação dos moradores. Isso contribui para uma relação de confiança e para uma administração mais sustentável”, destaca.

